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terça-feira, 22 de julho de 2014

JESUS E A MULHER SAMARITANA: REPENSANDO VELHOS CONCEITOS

COMENTARIOS BIBLICOS-JESUS E A MULHER SAMARITANA: REPENSANDO VELHOS CONCEITOS

 O encontro de Jesus com a mulher samaritana poderia ser descrito como “a vitória do evangelho sobre os preconceitos sócio-culturais”. Os judeus e samaritanos não se entendiam desde os tempos de Oséias, o último rei de Israel.

                  I

Tudo começou quando Oséias conspirou contra Salmanasar, rei da Assíria. Samaria, a capital de Israel, foi sitiada pelas tropas assírias por três anos e, posteriormente, seus moradores foram transportados para a Assíria (2 Rs 17.3-6). Isto aconteceu em 722 a.C. Somente os pobres puderam ficar em Israel (cf. Jr 39.10). Logo, vieram também  estrangeiros e se estabeleceram na região devastada. Diz o relato bíblico: “O rei da Assíria trouxe gente de Babilônia, de Cuta, de Hamate e de Serfavaim, e a fez habitar nas cidades de Samaria, em lugar dos filhos de Israel; tomaram posse de Samaria e habitaram nas suas cidades” (2 Rs 17.24). Da mescla com a população que havia ficado, surgiu uma nova raça denominada de samaritanos (nome derivado de Samaria, a metrópole fundada por Onri, pai de Acabe, por volta de 880 a.C.).
No princípio, quando os estrangeiros passaram a habitar em Samaria, eles não temeram ao Senhor; pelo que o Senhor mandou leões invadirem suas terras,  os quais  mataram a alguns do povo. Com razão atribuíram esta praga à ira de Deus. Então, rogaram ao rei da Assíria que enviasse um sacerdote israelita para  lhes ensinar  “como servir o Deus da terra”. E assim aconteceu que um judaísmo adulterado foi enxertado ao culto pagão. Quando uma parte dos judeus voltou à terra de seus pais (principalmente, mas não exclusivamente, parte dos que haviam sido deportados para a Babilônia em 586 a.C.), construiu-se um altar para o holocausto e pos-se os fundamentos do templo, samaritanos zelosos e seus aliados interromperam as obras (Ed 3 e 4). Assim fizeram porque negaram a eles a permissão de cooperar na obra de reconstrução. Sua petição foi: “Deixa-nos edificar convosco, porque, como vós, buscaremos a vosso Deus, como também já lhe sacrificamos desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos fez subir para aqui”. A resposta que receberam foi a seguinte: “Nada tendes conosco na edificação da casa do nosso Deus”. Ao receberem esta dura resposta os samaritanos passaram a odiar os judeus. Logo começaram a construir seu próprio templo no monte Gerizim. Porém, João Hircano, um dos reis macabeus, destruiu este templo em 128 a.C. Os samaritanos, não obstante, continuaram adorando em cima da montanha, onde haviam erigido o templo sagrado.
A aversão dos judeus para com os samaritanos pode ser vista ainda em Jo 8.48 e no livro apócrifo de Eclesiástico 50.25,26.1 E a mesma atitude por parte dos samaritanos em Lc 9.51-53.

1. O historiador judeu Flávio Josefo disse que, por volta do ano 19 d.C., um grupo de samaritanos entrou no templo de Jerusalém e espalhou ossos humanos sobre o altar, profanando o santuário e acirrando contra si o ódio judaico. Este ato causou revolta e indignação por parte de todos os judeus das sinagogas de Israel, que passaram a encerrar suas orações diárias lançando uma maldição sobre os samaritanos. Cf. A Missão da Igreja, (Missão Editora, Belo Horizonte,1994), pp. 65,6.

Dois fatores principais ocasionaram o encontro de Jesus com a samaritana. O primeiro foi a desconfiança por parte dos fariseus e a conseqüente  “tempestade” que começava a se armar (Jo 4.1). Os fariseus viam surgir diante de seus olhos outro profeta como João Batista. É certo que a verdadeira preocupação dos fariseus não era com o batismo de um ou do outro, mas eram as multidões que Jesus arrastava que começava a incomodá-los. A fim de evitar um confronto antes do tempo, o Mestre decidiu deixar a Judéia e partir para a Galiléia (v3).
      O segundo fator que ocasionou o encontro está no verso 4: “E era-lhe necessário atravessar a província de Samaria”. Por que era necessário que Jesus passasse por Samaria? Seria por causa das chuvas que transbordavam o rio Jordão, dificultando o caminho costumeiramente seguido pelos judeus que queriam ir até a Galiléia, como sugerem alguns? Acredito que não. Será que o Mestre apenas queria cortar caminho por Samaria para chegar na Galiléia? Muito menos, visto que não era normal um judeu passar por Samaria, seja qual fosse a circunstância. MacArthur observa:
Os samaritanos representavam uma ofensa tão grande que eles nem queriam por os pés na Samaria. Embora a rota mais curta atravessasse essa província, os judeus nunca usavam esse caminho. Eles tinham a própria trilha, que ia ao norte da Judéia, a leste do Jordão, entrando na Galiléia. Jesus bem poderia ter seguido por essa rota, muito usada, que unia a Judéia à Galiléia.2
      A questão era: Jesus necessitava ir por aquele caminho e chegar numa cidade samaritana de nome Sicar porque “precisava atender a um compromisso divino junto ao poço de Jacó”.3
      Não há unanimidade entre os estudiosos quanto ao horário da chegada de nosso Senhor ao poço (v6). João estaria usando o horário judaico (meio dia) ou o horário romano (seis da tarde)? Este detalhe não é tão importante. Basta saber que Jesus chegou na hora certa. Nem antes; nem depois. “Ele estava no local e no tempo indicados por Deus, determinado a fazer a vontade do Pai. Ele estava lá para buscar e salvar uma única, triste e desventurada mulher”.4
     
II
“Nisto veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber” (Jo 4.7).
“Então lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim que sou mulher samaritana...” (Jo 4.9).
Com uma simples petição (dá-me de beber), o nosso Senhor declara que a separação entre os povos em geral, e judeus e samaritanos em particular, estava, de certa forma, com os dias contados. A parede divisória desaparece onde o evangelho se faz presente (cf. Gl 3.28; Ef 2.14).
No simples fato de viajar por Samaria e pedir água à uma samaritana, Jesus estava derrubando barreiras centenárias de preconceito racial. “A
misericórdia de nosso Senhor transpôs as barreiras do ódio nacionalista, como se vê não somente aqui, João 4, mas também em Lc 9.54,55; 17.11-19; e na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37)”.5 É interessante observarmos que o encontro de Jesus com a mulher samaritana foi precedido pela ida dos discípulos à cidade de Sicar para comprar alimentos (v8). Mandar os discípulos comprar alimentos foi um santo pretexto do Mestre. Nem tanto para ficar simplesmente sozinho e conversar sossegado com a mulher.  Muito menos porque precisasse de comida naquela hora (veja vv31-34). É que as barreiras deveriam ser destruídas em seus discípulos também (cf. Lc 9.51-56).
Embora estivesse verdadeiramente cansado e necessitasse de água (vv6,7), Aquele que pedia tinha muito mais a oferecer. Pedir água àquela mulher fazia parte de uma estratégia evangelística, se é que podemos dizer assim. “À medida que o Grande Evangelista procura ganhá-la, Ele orienta sabiamente a conversa, levando-a de um simples comentário sobre beber água à revelação de que Ele era o Messias”.6 Aquele que pedia água fria estava oferecendo água viva, a saber, a Si mesmo.
Conhecendo a tradição discriminatória, a mulher ficou perplexa com o pedido de Jesus. Nos tempos do Novo Testamento havia uma desigualdade muito grande entre homem e mulher. Nos tempos bíblicos (e em muitos países orientais de hoje) os homens não conversavam com mulheres em público, mesmo sendo suas esposas. Se entre um judeu e um samaritano existiam preconceitos profundos, imagine-se entre um judeu e uma samaritana, e uma samaritana de vida imoral! Independente do modo em que vivia uma samaritana, os judeus sempre  consideravam-nas em estado de perpétua  contaminação. Um judeu preferia morrer de sede a tomar água da mão de um samaritano, muito menos de uma mulher samaritana, sobretudo pecadora. Haja vista a surpresa dos discípulos ao virem Jesus falando com a mulher (v27).
A mulher estava surpresa com o fato de Jesus se dirigir a ela, pedindo água de seu cântaro “impuro”. Mas a impureza não estava no cântaro, e sim, na vida dela. E era aquela vida que o Senhor Jesus queria purificar.
É provável que na mente da samaritana, moldada por uma sociedade culturalmente preconceituosa, passasse também o seguinte pensamento: “Tu és judeu, estás necessitado de água e não podes valer-te. Eu sou mulher samaritana, sou auto-suficiente e, portanto, posso ajudar-te”. Jesus, pois, mostrou que a realidade era completamente outra. A mulher é quem precisava de água de verdade e Ele era a única fonte que podia sacia-la (v10).
Ainda que a mulher samaritana não entendesse à princípio que a verdadeira água viva estava fora e não no fundo do poço, os progressos começavam a aparecer. Ela já não vê Jesus como um simples forasteiro judeu afoito. Agora ela O chama de “senhor” (v11) e não mais “tu” (v9). Os preconceitos sócio-culturais que impregnavam tanto judeus como samaritanos começam a arrefecer da parte dela.
Convém ressaltar, ainda, que a mulher samaritana não era desprezada apenas pelos judeus, mas também pelo seu próprio povo, em razão da vida libertina que levava. A vida dela era um emaranhado de adultérios e divórcios. “Na sociedade de então, isso fazia dela uma pessoa rejeitada e proscrita, com um status social igual ao de uma prostituta comum”.7
Perto de Sicar haviam muitos poços nos quais ela poderia buscar água. “As mulheres costumavam cumprir esta tarefa num horário mais fresco e em grupo, pois era mais seguro e mais cômodo”.8 Entretanto, a condição de vida que levava a obrigava fazer longas caminhadas, sozinha, até o poço de Jacó. Além disso, buscava sua água no horário em que provavelmente não encontraria as suas conhecidas.
O Rev. Miguel Rizzo Jr., ilustre pastor presbiteriano falecido, escreveu um excelente opúsculo entitulado O Cântaro Abandonado, no qual relata o preconceito social sofrido pela mulher samaritana com o seguinte quadro:
“Vivia segregada da sociedade. Possivelmente, no convívio que outrora tivera com suas amigas, percebeu que elas a repeliam. Quantas vezes teria ouvido comentários cortantes de sua conduta!
-Já é o segundo marido, diriam algumas.
Tempos depois seria mais acre o comentário:
-Já é o terceiro marido.
Mas a situação ia piorar ainda:
-Já é o quarto marido.
Quantas ironias acompanhariam, na maledicência social, esses comentários mordazes! E iam-se tornando mais ferinos:
-Já é o quinto marido.
Na época em que se deram os fatos que comentamos, a crítica provavelmente seria já mais enxovalhante:
-Agora é o sexto marido”.9
A imoralidade é uma prática inaceitável. Mas não se pode confundir o pecador com o pecado. A vida leviana daquela mulher era reprovável, porém, havia nela uma alma necessitada de compaixão. Estava socialmente marginalizada e moralmente esfarrapada. E foi assim que Jesus a encontrou e a salvou.

                             III

“Senhor, disse-lhe a mulher: Vejo que tu és profeta. Nossos pais adoravam neste monte; vós, entretanto, dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” (vv 19,20).
Constrangida com a revelação de sua vida de pecado, e aproveitando a capacidade profética de seu interlocutor, a mulher tentou mudar de assunto. Digo “tentou” porque na verdade era Jesus quem conduzia o diálogo. A mulher estava estrategicamente cercada do princípio ao fim da conversa. E a evangelização acabaria na hora exata, com os assuntos devidamente tratados. Não é curioso que os discípulos chegassem exatamente no fim da conversa?
O último obstáculo a ser vencido seria o preconceito religioso. Deste preconceito entre judeus e samaritanos originavam-se todos os preconceitos sócio-culturais. Como observou corretamente A. Gelston: “O ponto principal da discórdia era o templo do monte Gerizim”.10 Os judeus insistiam que Jerusalém era o único lugar de adoração. A tradição samaritana, por sua vez, dizia que uma longa cadeia de figuras bíblicas, desde Adão até José, conheciam o monte Gerizim como lugar sagrado. Implicitamente, a samaritana estava perguntando: “Quem está certo?”.
A conversa de Jesus com a mulher samaritana passa a girar em torno da verdadeira adoração.  “É bastante significante a importância dada ao lugar de culto por uma alma cujos pecados são expostos”.11
No decorrer do diálogo muitos sub-temas são abordados, tais como: o lugar da adoração, o tempo da adoração, a busca dos adoradores, o verdadeiro adorador, a quem se deve adorar, o modo correto de se adorar, etc. Não temos espaço para tratar separadamente cada um desses sub-temas. Basta dizer, por enquanto, que Deus só pode ser verdadeiramente adorado, desde que seja verdadeiramente conhecido. Como diz muito bem o Dr. Héber Carlos de Campos em seu comentário de João 4.20-24: “O pressuposto inequívoco para verdadeira adoração é o conhecimento do verdadeiro Deus”.12 Nosso Senhor ensinou à samaritana que quem conhece Deus de fato, só pode adorá-lO em espírito e em verdade. Estudiosos da Bíblia têm dado diversas interpretações para a expressão “em espírito e em verdade” de João 4.23,24.13   Parece razoável entendermos que ao estabelecer o modo correto de adorar a Deus, isto é, em espírito e em verdade, Jesus estava criticando o culto judaico e o culto samaritano.
Os samaritanos acreditavam que adoravam o mesmo Deus dos judeus, mas não aceitavam as mesmas Escrituras dos judeus, a não ser os cinco primeiros livros, o Pentateuco de Moisés. Como não aceitavam os demais livros da revelação divina (por acharem que eram invenções dos judeus), o culto dos samaritanos era defeituoso. Por isso Jesus disse à mulher: “Vós adorais o que não conheceis, nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus” (v22). Os samaritanos adoravam  “em espírito”, isto é, adoravam aquele que eles não conheciam  “com alegria e verdadeiro entusiasmo”. Mas e daí? Não adoravam  “em verdade” porque rejeitavam 34 livros do Velho Testamento, a Bíblia de então. A revelação de Deus nas Escrituras é progressiva; portanto, é impossível conhecê-lO verdadeiramente ficando apenas com os cinco primeiros livros da Bíblia.
Por outro lado, os judeus aceitavam toda Escritura. Por isso conheciam Deus e tinham tudo para adorá-lO corretamente. “Tinham tudo”, mas não o faziam. Os judeus se limitavam à formalidade de um culto onde o espírito não estava presente. Faltavam emoção, vida e alegria no culto judaico.13. Consulte comentários bíblicos de João 4.23,24.
Contudo, uma nova era estava surgindo para a adoração. Logo, logo tanto judeus como samaritanos compreenderiam que para adorar a Deus o que menos importava era o espaço físico. O que conta “não é onde se deve adorar, mas a atitude do coração e da mente, e a obediência à verdade de Deus quanto ao objeto e o método de adoração. Não é o onde, mas o como e o quê o que realmente importa”.14 Deus quer homens e mulheres que O adorem com o espírito dos samaritanos e a verdade dos judeus.15
O resultado do encontro de Jesus com a mulher samaritana não poderia ser menos que excelente. A pecadora tornou-se missionária! Extremamente feliz, deixou seu cântaro e correu para anunciar na cidade sua grande descoberta: o Messias chegou! A mulher despertou o interesse dos seus concidadãos de tal modo que conseguiu levá-los a Jesus (vv29,30). Houve uma grande colheita: Muitos samaritanos creram em Cristo Jesus (vv39-42).

                             IV
São grandes as lições que aprendemos do encontro de Jesus com a mulher samaritana. A começar pelo resultado da conversa, vemos uma mulher outrora desprezada por todos, sendo usada poderosamente por Cristo para influenciar
15.  É importante observar, porém, que os judeus aceitavam todo o VT, tendo a oportunidade de conhecer tudo o que de Deus se podia conhecer  “naquela época”. Entretanto, hoje já não é possível dizer que os judeus conhecem verdadeiramente a Deus porque rejeitam a revelação de Deus em Cristo Jesus, conforme nos é ensinado no Novo Testamento.

os moradores de sua cidade. Quão glorioso é Cristo: “Ele ergue do pó o desvalido, e do monturo, o necessitado” (Sl 113.7).
Como esta mulher, existem tantas outras em nossas cidades. Assim como elas, tantos outros se encontram à margem da sociedade, roubados de seus direitos e dignidade. E nós, evangélicos, lamentavelmente somos culpados por boa parte da marginalização do indivíduo pela sociedade, pois fazemos pouco ou nada em mostrar para a sociedade que o homem e a mulher, a criança e o idoso, o deficiente, os proscritos em geral , etc., são valorizados por Cristo e como humanos que são devemos valorizá-los também. Falhamos em não ver (ou fingimos que não vemos) a pessoa por trás de seus pecados.
Outra lição importante que aprendemos de João 4 são os princípios básicos para uma boa evangelização. Notamos que Jesus conduzia a conversa, utilizando-Se, primeiramente, de Sua sede física para chegar à sede espiritual daquela mulher. Com habilidade o Senhor invalida as tentativas da samaritana de controlar o diálogo, mudar de assunto e perguntar coisas sem importância. Não precisamos conhecer a vida de uma pessoa como Cristo conhece para  sermos eficicientes na evangelização. Nossa suficiência está em Cristo e o Espírito Santo nos guiará com triunfo em nossa evangelização.
Mas as lições de evangelismo continuam. Na tentativa de fugir da confrontação, vemos na mulher samaritana o símbolo do pecador em seu estado natural. No “cerco” de Cristo temos o exemplo que devemos seguir na evangelização dos perdidos. Aprendamos com o Mestre a sermos mais sensíveis com os marginalizados e como abordá-los com eficiência.
Não é preciso pressa quando se evangeliza. Este é outro ponto que extraímos de João 4. O importante, como o nosso Senhor ensinou,é que haja progresso. O próprio Jesus revelou pouco a pouco quem Ele era. E em perfeita harmonia com esta revelação gradual, a confissão da mulher também avançou. Primeiro viu Jesus como um simples forasteiro judeu; depois um profeta, que revelou coisas de sua vida particular e, por último, o Messias.
A conversa sobre a verdadeira adoração é uma preciosidade do Novo Testamento. Contudo, ao mesmo tempo que é edificante torna-se  preocupante também. Receio que muito do chamado culto cristão de hoje não passe de culto samaritano ou judaico. De um lado temos os entusiastas, mas vazios de conteúdo, de doutrina. Do outro lado temos os experts na Bíblia e na doutrina, mas totalmente frios e sem entuisiasmo e alegria  no Senhor. Que Deus nos ajude a oferecermos a Ele a adoração que Lhe é devida.




AUTORES;.
Josivaldo de França Pereira
Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB)
Escritor Manoelzinho Contagem MG


COMENTARIOS BIBLICOS-CRENTES ENDEMONIADOS!!!

PODE O CRISTÃO SER POSSUÍDO PELO DIABO?

Oremos.PAI amado e criador dos céus e da terra, agradeço por ser escolhida com o teu instrumento, faz-me digna de ti e mantem-me firme no teu SANTO ESPÍRITO, assim eu oro em nome do SENHOR JESUS CRISTO. Amém.

Irmãos, hoje quero falar sobre um tema muito polêmico e emblemático que é: Pode um cristão ser possuído por demônios?
Há uma vertente de pessoas entre as quais estão muito pastores e teólogos  que afirmam categoricamente que é impossível um "crente" ser possuído ou mesmo obsediado por demônios. Outros pastores e estudiosos afirmam o contrário, que é possível sim que "crentes" sejam obsediados e/ou possuídos por demônios. E você o que acha? Vamos trazer uma explicação a luz da palavra do SENHOR JESUS CRISTO e espero que traga uma definição sobre esse assunto tão falado ultimamente.Vamos lá.
Eu digo que sim um "crente" pode ser obsediado e até mesmo possuído por demônios e vou explicar o porque isso acontece e infelizmente até com mais frequência que deveria. Primeiro para entender como isso se dá vamos aprender o que impede esse fato e por conseguinte todos saberão como acontece.
Primeiro vamos usar texto da antiga aliança. Será que o rei Saul pode ser considerado um homem escolhido por DEUS? Claro que sim, e assim sucedeu com ele.
"E o Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e atormentava-o um espírito mau da parte do SENHOR."  (I Samuel 16 : 14).
Por esse texto acima já fica claro que Saul estava sofrendo tormentos causados por um espírito maligno ou demônio,visto que o ESPÍRITO SANTO o havia deixado, bem o fato do ESPÍRITO DO PAI tê-lo deixado não o tornou um ímpio imediato, ele continuou sendo um filho do PAI celestial. Vamos a outro texto:
"E alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: Esconjuro-vos por Jesus a quem Paulo prega."  (Atos 19 : 13)
Já neste texto onde nos fala dos milagres e da pregação da palavra do SENHOR JESUS feitas por Paulo na Ásia,revela que havia no meio  dos judeus exorcistas, que praticavam a expulsão de demônios de outros judeus (Não levemos em conta que eles expulsavam demônios pelo poder de Satanás). Vejamos outras passagens do Evangelho:
Marcos 8:32-33
32 - E dizia abertamente estas palavras. E Pedro o tomou à parte, e começou a repreendê-lo
33 - Mas ele, virando-se, e olhando para os seus discípulos, repreendeu a Pedro, dizendo: Retira-te de diante de mim, Satanás; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas as que são dos homens. 
Constatamos nesses exemplos que coloquei que nas três ocasiões diferentes onde demônios se utilizaram de "crentes" tanto para atormentar quanto para tentar, as pessoas não tinham ainda nascido de novo e nem recebido em suas vidas o habitar do ESPÍRITO SANTO. Portanto concluímos que demônios não podem agir de forma alguma na vida de cristãos verdadeiros e que estão andando segundo o ESPÍRITO SANTO.
Romanos 8:1-2
1 - PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.
2 - Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte.
I João 5:18
18 - Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca. 
Vamos ver mais exemplos desta afirmação que faço pelo ensinamento dado a mim pelo ESPÍRITO SANTO.
Mateus 16:18
18 - Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;
Lucas 10:19
19 - Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.  
Agora vocês podem estar perguntando como pode um "crente" não ter o ESPÍRITO SANTO? Vou falar sobre isso muito claramente e como  sempre pautada na palavra do PAI.
Vamos entender Uma coisa importantíssima.Receber o selo do ESPÍRITO SANTO e o batismo no ESPÍRITO SANTO são  coisas diferentes.
II Timóteo 2:19
19 - Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade.
 Quando recebemos o SENHOR JESUS como SENHOR e SALVADOR de nossas vidas recebemos o selo do ESPÍRITO SANTO que nos identifica no mundo espiritual como pertencentes ao PAI CELESTIAL.
A partir desse momento inicia-se uma transformação de conceitos, visões, opiniões e atitudes, isto é conhecido como novo nascimento ou batismo com o ESPÍRITO SANTO.Somente quando alcançamos estas transformações é que podemos afirmar que o ESPÍRITO SANTO está guiando nossas vidas e por isso nenhum demônio pode nos atingir de forma alguma. 
Agora se a pessoa apenas confessa com sua boca que recebeu o SENHOR JESUS e não passa pelo novo nascimento, além de não entender a palavra do Evangelho não tem a guia do ESPÍRITO SANTO, então pode sim ser não só obsediados por demônios como possuídos.
Quantos "pastores" que se dizem homens de DEUS fazem barbaridades nos bastidores das falsas igrejas? Adulteram, roubam,mentem,assassinam,etc...Quem os induzem a fazer tais coisas? Seria o SENHOR JESUS? Claro que não. É Satanás. E ai o que me dizem os que afirmam que o "crente" não pode ser atingido pelo diabo?
Nunca esqueçam que o ESPÍRITO SANTO não habitará jamais em um templo imundo,o seu espírito tem que ser limpo afim de que o ESPÍRITO do PAI possa habitar nele.
Espero ter sido edificante em nome do SENHOR JESUS CRISTO.

Com Amor em Cristo, 

sábado, 12 de julho de 2014

MISSAO EM UM MUNDO E EM UMA IGREJA EM CRISE

Havendo Deus outrora falado muitas vezes, de muitas maneiras, aos nossos pais, pelos profetas, hoje nos fala pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem de sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação de nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; feito tanto mais excelente do que anjos, disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei. Eu lhe serei por Pai, E Ele me será por Filho. (Hb 1. 1-5)
Ora, sendo Jesus Cristo o único Senhor e Rei soberano, e começando a Missão em Deus e convergindo para ele mesmo, então, somos parte dos seus propósitos eternos para levar sua salvação aos homens que de antemão ele escolheu para herdarem a vida eterna. A atitude correta na obra missionária, em conformidade com as verdades reveladas na Palavra de Deus, deve ser:

1. Humildade diante daquele que nos chamou, sabendo que ele é o autor da salvação. Assim, não está em nossas mãos o destino final de cada vida, mas é tarefa do Espírito Santo convencê-los do pecado, da justiça e do juízo. Somos apenas parceiros de Deus na Missão que é dele;

2. A centralidade da Missão envolve comunhão perfeita e permanente com Deus. Viver a prática do Evangelho requer também compreendê-lo e buscá-lo de forma racional, ainda que não desprovida de emoções inerentes à vida de quem é adorador e está em união com o seu Senhor;

3. A obra missionária deve ser feita de joelhos e na total dependência do Espírito Santo. Excluir a direção e controle do Espírito Santo do ministério é cair em ativismo e egocentrismo, mesmo em função da própria obra. Essa seria, portanto, uma atitude de idolatria;

4. Devemos ter uma vida de retidão moral e ética cristã, revelando ao mundo, de forma visível, a presença de Deus entre os homens; 

5. Jesus é a Boa Nova e a única verdade. De forma alguma devemos fazer qualquer tipo de união sincrética ou reducionista da Palavra de Deus. Jamais esvaziar Jesus do seu conteúdo, ou negar que ele existiu dentro do tempo (Kairós) e na história geral;

6. Seguir os passos do mestre: A Missão deve ser feita sob a cruz, sabedores que fazer a vontade de Deus implica diretamente em lutas, perseguições e, quem sabe, perigos, dores e até morte pelo nome de Cristo Jesus;

7. Temos que ter o compromisso de denunciar o pecado, para que pecadores se arrependam; proclamar o perdão em nome de Jesus; fazer discípulos. Também preparar lideranças autóctones, para assumirem o trabalho local;

8. Ao pregar para um mundo caído e sem Cristo, não nos cabe uma atitude triunfalista. Apesar de sermos instrumento de Deus devemos reconhecer nossa imperfeição e fraqueza humana. Além disso, nem sempre a missão desemboca em vitórias na perspectiva dos homens, mas para os planos divinos tudo está se cumprindo, mesmo diante das adversidades e intempéries na causa missionária;

9. Estando na missão que o Senhor Jesus nos confiou, sob o signo da cruz, temos que ter comunhão com os demais irmãos no Campo, Agência (Junta) e Igreja, em uma atitude de submissão e amor cristão;

10. A missão deve ser sempre kerigmática (proclamação das Boas Novas), porém não excludente da prática das boas obras que Deus de antemão preparou para nós (Ef. 2.10). O Evangelho deve ser apresentado de forma integral e em todas as dimensões da vida humana, em atos de justiça e misericórdia, conforme descrito na Palavra de Deus (Ap 19.7,8);

11. Jamais devemos pregar a mensagem do Evangelho sem considerar a cosmovisão do povo ou menosprezando a importância da contextualização da mensagem. A pregação do Evangelho deve ser sempre feita de forma cristocêntrica, relevante e aplicável, caso contrário nossa pregação será etnocêntrica e antibíblica;

12. A obra salvífica de Cristo tem caráter eterno, portanto, o cristianismo é mais do que levar pecadores para o céu apontando a redenção num plano futuro, mas é a integralidade entre a presente era e o porvir. Então, trazer o Reino de Deus em toda sua amplitude para o agora, através do ministério que Deus nos confiou, visa também à glorificação do Filho hoje e até o final dos tempos.

O sofrimento em John Bunyan-historia da igreja



“Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós e sim no Deus que ressuscita os mortos” (2Co 1.9).1

Para que não confiemos em nós e sim em Deus. O entendimento do versículo acima foi fundamental e encorajador para John Bunyan (1628-1688) em sua peregrinação e sofrimento. E o sofrimento em Bunyan é o tema deste artigo, o qual será dividido em cinco partes, sendo elas:

1 – Introdução ao tema e contexto histórico
2 – Uma breve biografia de John Bunyan
3 – Um breve apanhado do pensamento de Bunyan
4 – O sofrimento em John Bunyan
5 – Aplicações do sofrimento de Bunyan para nossa peregrinação cristã, como indivíduos crentes em Cristo Jesus e como igreja e comunidade cristã.

Em maior ou menor grau, o sofrimento por causa de seguir e testemunhar de Cristo tem atingido a vida dos discípulos de Cristo em todas as épocas e em todos os lugares. O sofrimento é algo que faz parte da vida e é compatível com o Novo Testamento. Livros como os de Jó e do profeta Habacuque mostram como o povo da aliança deve se portar diante do sofrimento. Na história da igreja também não foi diferente. Mártires e servos de Deus deixaram um exemplo e legado sobre como enfrentar e encarar o sofrimento de forma que o nome de Deus seja glorificado. Não numa perspectiva de autopiedade diante do sofrimento, mas entendendo-o como um mecanismo para que Deus seja glorificado em nossas vidas, em nossas lutas, aflições e dores. Assim foi com John Bunyan, latoeiro de origem humilde e pregador puritano de uma igreja batista no século XVII, conhecido pelo livro de sua autoria, O Peregrino. Não sei se alguém dentre os leitores já foi preso por pregar o evangelho, já teve alguma filha nascida cega, já foi ameaçado de morte por causa da pregação. Provavelmente alguns já perderam um ente querido, sofreram acidentes ou algum outro acontecimento que tenha causado dor e aflição em sua vida. Minha oração é que Deus abençoe você, sustentando-o(a) e encorajando-o(a), através do legado que foi deixado por Bunyan.

John Bunyan

Era um período turbulento na Inglaterra do século XVII. Eclodiram controvérsias em torno da monarquia e da liturgia da Igreja estatal, em questões de cerimônias e trajes clericais, resquícios da Igreja Católica. Elizabeth, Tiago I e Carlos I (este coroado rei em 1625) sempre foram avessos aos Puritanos. De 1645 a 1649 houve a guerra civil e a cavalaria puritana estava sob a liderança de Oliver Cromwell, e vencida a guerra com a morte de Carlos I, o parlamento e a república são instalados. Dois anos depois da morte de Cromwell, Carlos II ascende ao trono em 1660 e a monarquia é restaurada. Em 1662 mais de dois mil pastores puritanos foram desligados de suas igrejas e quem não fosse anglicano não poderia colar grau nas melhores universidades.

Dentro dessa confusão nasce John Bunyan, em novembro de 1628, em Elstow, Bedford, Inglaterra. Ele era filho de um latoeiro pobre, que pôde oferecer apenas a educação primária e básica ao seu filho. Quando jovem, Bunyan levou um estilo de vida promíscuo, mundano e blasfemador. Quanto a esse período, ele escreve: “Sendo totalmente injusto, estava feliz por ser cativo do diabo, para cumprir a sua vontade (2 Tm 2:26).”2 E ele sentia uma espécie de prazer e satisfação neste estilo de vida “plenamente de acordo com as inclinações da minha natureza caída, entreguei-me a desejos pecaminosos e deleitava-me em todas as formas caídas de transgressão contra a lei de Deus”3 e exercia influência sobre seus companheiros motivando-os a seguirem o mesmo comportamento não se importando muito com questões como céu e inferno, salvação e condenação. 

 Entre 1644 e 1647 serviu no exército parlamentar liderado por Oliver Cromwell, na guerra contra Carlos I. Casou-se em 1649. Sua esposa teve pais piedosos, e através dela Bunyan começou a ter contato com o evangelho. Após vários anos, ele encontrou três ou quatro senhoras sentadas ao sol numa tarde, conversando sobre o novo nascimento. Estas senhoras o apresentaram ao Pastor John Gifford e à sua congregação. Ao que tudo indica, ali Bunyan encontrou a paz que excede a todo entendimento. Esse pastor havia sido médico charlatão no exército, mas experimentara uma conversão dramática.

Após sua regeneração e maravilhosas experiências com a paz de Deus, Bunyan escreveu em sua autobiografia, “Graça abundante ao principal dos pecadores”:

(...) um dia, enquanto andava pelo campo, as seguintes palavras subitamente adentraram minha alma: “Sua justiça está no céu”. Além disso, pensei ter visto, com os olhos da minha alma, Jesus Cristo à destra de Deus. Minha justiça estava no céu; de modo que, onde quer que eu estivesse, ou independentemente do que eu fizesse, Deus não poderia dizer a respeito de mim: “Ele necessita da minha justiça”, pois minha justiça estava bem diante dele.4
De sua primeira união conjugal nasceram quatro filhos, sendo Mary, a primogênita, cega de nascimento. Sua esposa faleceu em 1655 e alguns anos depois, em 1659, Bunyan casou-se pela segunda vez com Elizabeth, que cuidou de seus quatro filhos.

Resolvidos os conflitos de sua alma, Bunyan começou a exortar a igreja em 1655, e foi levantado como um grande pregador em Bedford. Sua popularidade como pregador leigo foi muito grande. Em 1660 foi preso por não ser licenciado para pregar pela Igreja da Inglaterra e por não se adequar aos padrões da liturgia anglicana. Essa prisão causou grande opressão em sua família e houve um interrogatório com sua esposa. Ela disse que o marido jamais deixaria de pregar. O próprio Bunyan confirmou isso quando lhe foi oferecida a liberdade em troca da renúncia à pregação. Disse ele: “Se eu for solto hoje, pregarei amanhã”. Essa sua determinação custou-lhe doze anos de prisão. Por bondade do carcereiro, Bunyan podia visitar sua família, porém viveu esse tempo sob tensão de ser penalizado com a morte a qualquer momento. Nessas visitas, ele mantinha contato com amigos em Londres e participava das reuniões regulares da igreja em Bedford, sendo eleito seu copastor. Porém, quando suas saídas foram descobertas, Bunyan, por iniciativa própria, diminuiu o ritmo de suas visitas para não prejudicar o trabalho do carcereiro.

Após os doze anos de prisão, ele foi solto por um decreto de Indulgência Religiosa. Logo depois foi licenciado para pregar como pastor da igreja em Bedford. Um celeiro virou edifício religioso e ali Bunyan pregou até sua morte. Entre 1675 e 1677 Bunyan foi novamente encarcerado. Seus biógrafos sugerem que nesse período foi escrito O Peregrino

Bunyan deixou suas posses para a família, para esta não ser prejudicada. Em agosto de 1688, ele viajou oitenta quilômetros a cavalo para pregar em Londres, debaixo de forte chuva. Ali contraiu febre e viajou para a pátria celestial aos sessenta anos de idade. Seu último sermão fora em 19 de agosto, baseado em João 1.13, e suas últimas palavras em púlpito foram: “Vivam como filhos de Deus, para que possam olhar a seu Pai no rosto, com segurança, mais um dia”.

RECORTES DO PENSAMENTO E DA TEOLOGIA DE JOHN BUNYAN
Três obras exerceram grande influência sobre o pensamento de John Bunyan. A primeira foi o comentário de Martinho Lutero à Epístola aos Gálatas; os outros dois livros foram O caminho do céu para o homem simples e a Prática da piedade.

Além de pastor de ovelhas e fervoroso pregador, Bunyan foi um profícuo escritor. Antes da primeira prisão já havia escrito dois livros. Durante seu aprisionamento escreveu algumas obras, sendo elas: Oração no Espírito, A Ressurreição da Cidade Santa, Graça Abundante ao Principal dos Pecadores (autobiografia), O Peregrino, Defesa da doutrina da justificação, e Contra o Bispo Fowler. Além desses, também são conhecidos: A Peregrina e A Guerra Santa. Segundo alguns biógrafos e estudiosos, Bunyan foi influente na formação da Confissão de Fé Batista de 1677, que resultou de influência e aprimoração da Confissão de Fé de Westminster, e que se tornou conhecida como a Confissão de Fé de 1689, visto que nessa ocasião foi subscrita por representantes de mais de cem igrejas batistas.5

Segundo D. Martin Lloyd-Jones, o principal interesse de Bunyan eram as almas, e este interesse era a mola propulsora de toda a sua atividade.6 Devido as suas experiências de tormento interno, tornou-se um pastor devoto e interessado nas almas de seus fiéis. Além disso, tinha ele um conceito de fé e crença não somente cognitivo, numa apreensão intelectual apenas, mas que também aquecesse o coração com poder causando mudança de vida.

Bunyan tinha um interesse enorme pela doutrina da justificação, influenciado talvez pela leitura doComentário da Epístola aos Gálatas, pelo reformador Martinho Lutero. Podemos ouvir a voz do interesse de Bunyan nessa doutrina quando lemos o que a Confissão de 1689 diz sobre ela, em seu capítulo 11, seção 1:

Aqueles a quem Deus chama eficazmente, Ele também os justifica, gratuitamente; não por infundir-lhes justiça, mas perdoando-lhes os pecados, considerando-os e aceitando-os como pessoas justas; não por coisa alguma realizada neles ou por eles mesmos feita, mas unicamente por consideração a Cristo; não por imputar-lhes como justiça a fé, o ato de crer, ou qualquer outra obediência evangélica, mas por imputar-lhes a obediência ativa de Cristo (a toda a lei) e sua obediência passiva (na morte), como total e única justiça deles, que recebem a Cristo e nEle descansam, pela fé. E esta fé, não a tem de si mesmos, é Dom de Deus.7
Bunyan se envolveu também em controvérsias. Uma delas foi em relação aos batistas particulares restritos. Esse grupo era reformado em sua soteriologia (doutrina da salvação), negando, porém, a comunhão a outras denominações. Bunyan também era ligado a uma igreja batista particular, sendo, portanto, calvinista – prova disso foi um folheto publicado em 1674 chamado Reprovação Assegurada.8Porém, ele era “aberto” quanto a comunhão com presbiterianos, anglicanos e congregacionais, assim como com todo que cresse na doutrina da justificação da maneira ensinada nas Escrituras. Ele cria no batismo conforme os distintivos batistas, mas não via nisso um impedimento para comunhão com outras denominações. Sua luta era pela fé cristã em sua essência, assim como Richard Baxter que uma vez disse: “Nas coisas essenciais, unidade; nas não essenciais, liberdade; e em todas as coisas, caridade”. Esse também era o espírito da batalha de Bunyan.

Bunyan também militou contra os Quacres, grupo que acreditava no cristianismo apenas como uma luz interior, tendendo para o misticismo. Ele argumentava que as certezas históricas são essenciais à fé cristã. Não é fé verdadeira aquela que não puder descansar nessas verdades essenciais.

Alguns heróis na fé expressaram honra a Bunyan:

•    John Burton, que prefaciou a primeira obra de Bunyan em 1656, disse em sua defesa: “Este homem não foi escolhido de 
uma universidade secular, mas de uma universidade celestial, a Igreja de Cristo”.
•    John Owen, um dos maiores teólogos da época, congregacional, ao ser indagado pelo Rei Carlos II sobre o fato de um latoeiro inculto pregar, respondeu: “Pudesse eu possuir as habilidades do latoeiro para pregar, e, se apraz a sua majestade, alegremente renunciaria a todo meu estudo”.
•    George Whitefield, grande pregador puritano, disse sobre a obra O Peregrino: “Tem cheiro de prisão”. E prossegue: “Foi escrito quando o autor estava confinado na cadeia de Bedford. E os ministros nunca pregam ou escrevem tão bem como quando estão debaixo da Cruz: o Espírito de Cristo e da Glória repousa sobre eles.”
•    Charles Haddon Spurgeon, o batista “príncipe dos pregadores”, que lia O Peregrino uma vez por ano, disse acerca de Bunyan: “Fure-o em qualquer parte; e você verá que o sangue dele é biblino, a própria essência da Bíblia flui dele. Ele não consegue falar sem citar um texto, pois sua alma está cheia da Palavra de Deus.”

O SOFRIMENTO EM JOHN BUNYAN
Aqui chegamos ao ponto principal deste artigo, isto é, o efeito do sofrimento na vida e peregrinação de John Bunyan.

Como dissemos anteriormente na parte biográfica, Bunyan foi preso durante doze anos por pregar o evangelho sem ser licenciado pela Igreja da Inglaterra. Além de ser um latoeiro pobre e sem muita instrução formal, sua primeira filha Mary era cega de nascença. Ainda que na prisão desfrutasse de certa liberdade de congregar e visitar sua família, Bunyan vivia sob tensão de condenação à morte todo o tempo. Ele às vezes ficava atormentado por uma dúvida de ter tomado a decisão certa e deixado sua família em fortes dificuldades econômicas e passando necessidades.

O pastor batista norte-americano John Piper ilustra cinco efeitos do sofrimento na vida de John Bunyan e pediremos ajuda a ele neste momento:9

Em primeiro lugar, o sofrimento de Bunyan confirmou o seu chamado como escritor para a igreja aflita.  
Como prisioneiro, assim como o apóstolo Paulo escreveu algumas epístolas nessa condição, Bunyan dedicou seu tempo no cárcere aos escritos. Livros foram o seu maior legado à Igreja e ao mundo. Os escritos de Bunyan eram uma extensão, um braço de seu ministério pastoral, dirigido principalmente as ovelhas de Bedford, que viviam em constante perigo de assédio e prisão.

Podemos ouvir e sentir o sofrimento de Bunyan quando lemos trechos d´O Peregrino.10 No capítulo 9,Cristão sobe ao Monte da Dificuldade que representava as circunstâncias que exigem renúncia e esforço especial. Depois de beber um pouco de água na fonte, Cristão começou a subir dizendo:

Este monte, embora alto, anelo subir,
A dificuldade não me ofenderá,
Percebo que este é o caminho certo à vida.
Anima-te meu coração,
Não desanimemos nem temamos.
Embora difícil, é melhor o caminho certo seguir
Do que o caminho errado, embora fácil,
Cujo fim é a maldição.
No capítulo 12, Cristão vence a travessia do Vale da Sombra da Morte, que tinha o propósito de descrever uma passagem por aflições íntimas. Depois do diálogo com dois homens, Cristão prosseguia com a espada desembainhada temendo assalto. Assim, Bunyan narra o sonho: “Também, nesse mesmo vale o caminho era muitíssimo estreito; por isso, o bom Cristão sentiu-se desafiado ainda mais. Pois, ao procurar no escuro evitar a vala, à direita, estava sujeito a se desequilibrar e cair no lamaçal, à esquerda. E, quando procurava com muito cuidado escapar do lamaçal, estava prestes a cair na vala. Assim, prosseguiu”.

Em segundo lugar, o sofrimento de Bunyan aumentou o seu amor pelo rebanho e deu ao seu trabalho pastoral percepções da eternidade. 
Ele pregava como quem sentia dores de parto pelos seus filhos espirituais. Isso é muito claro n´O Peregrino, com a trajetória de Cristão rumo à Cidade Celestial. Assim como o sofrimento o fazia perceber que era um peregrino na terra, Bunyan buscava transmitir isso ao seu rebanho em Bedford. Debaixo de sua pregação, várias congregações foram fundadas e sua igreja tinha, talvez, cento e vinte membros. Ele amava o que fazia e amava intensamente o seu trabalho. Isso fazia com que ele passasse o gosto da eternidade para seu rebanho.

Em terceiro lugar, o sofrimento de Bunyan o fez entender que seguir a Jesus Cristo significa ir contra o vento e remar contra a maré.
Em vários de seus sermões e escritos ele sempre deixou isso claro. No capítulo 15 d´O Peregrino, Cristão encontra o personagem Sr. Interesse-Próprio e em um diálogo conflitante, Cristão expõe a Interesse-Próprio o preço do discipulado: “Se quiser ir conosco, terá de se posicionar contra o vento e contra a maré, todavia, percebo que isto é contrário à sua opinião. Também deve confessar a religião, tanto em seus trapos quanto em sapato de prata; e defendê-la, quer esteja ela presa em algemas, quer esteja caminhando nas ruas com aplausos”.

Dietrich Bonhoeffer (1906-1945) foi um teólogo e pastor luterano que resistiu ao nazismo na Segunda Guerra Mundial. Ele teve cassado seu direito de pregar e ensinar, sendo preso em 1945, e depois morto uma semana antes da guerra acabar. Ainda que sob uma teologia às vezes controvertida, Bonhoeffer escreve um livro, Discipulado, na pele de quem viveu seguindo contra o vento e a maré. Acerca do preço de ser discípulo de Cristo, ele diz o seguinte: 

O discípulo é arrancado de sua relativa segurança de vida e lançado à incerteza completa (i.é, na verdade para a absoluta segurança e proteção da comunhão com Jesus); de uma situação previsível e calculável (i.é, de uma situação totalmente imprevisível) para dentro do imprevisível e fortuito (na verdade, para dentro do que é unicamente necessário e previsível); do domínio das possibilidades finitas (i.é, na realidade, as possibilidades infinitas) para o domínio das possibilidades infinitas (i.é, para a única realidade libertadora). (...) A chamada ao discipulado é, no entanto, comprometimento exclusivo com a pessoa de Jesus Cristo.11
Antes de sua morte, perguntaram a Bonhoeffer se era o fim, e ele respondeu: “Não é o fim, é apenas o começo”. Isso ilustra que nossa confissão de fé deve ser acompanhada de nossa prática de vida, custe o que custar, assim como foi com Bonhoeffer e com Bunyan.

Em quarto lugar, o sofrimento de Bunyan fortaleceu a sua certeza de que Deus é soberano sobre todas as aflições dos seus, e lhes dá a certeza da segurança. 
Aqui John Piper escreve:

Sempre houve, como há hoje, pessoas que tentam resolver o problema do sofrimento, negando a soberania de Deus – isto é, o governo providencial de Deus sobre Satanás, a natureza e o coração do homem. Porém, é notável que muitos dos que defendem a doutrina da soberania de Deus sobre o sofrimento têm sido os que mais sofreram, e os que mais encontraram nesta doutrina o maior conforto e ajuda.12
Neste ponto, recorrendo à experiência de Bunyan, Piper contesta a heresia do chamado “Teísmo Aberto” ou “Teísmo relacional”. Este ensinamento, de um modo geral, defende que Deus abriu mão da sua soberania por amor, a fim de se relacionar com seres humanos, sendo então incapaz de prevenir desastres sociais e pessoais, como, por exemplo, os Tsunamis no sudeste da Ásia. 

Em quinto e último lugar, o sofrimento de Bunyan aprofundou nele a confiança na Bíblia como Palavra de Deus, para sua perseverança. 
Na prisão, Bunyan percebeu como a Palavra de Deus lhe transmitia conforto e consolo. Ela é a chave da nossa perseverança!

Em nossos dias as Escrituras são reputadas como insuficientes em diversas áreas. Em academias teológicas elas têm sido consideradas apenas relatos mitológicos, ou, como ouvi de uma professora de Antigo Testamento, “um panfleto javista”. No neopentecostalismo a Escritura tem sido substituída pelo misticismo de várias espécies, como a religiosidade afro-brasileira com linguagem cristã e por uma teologia da prosperidade, que abomina o tipo de sofrimento que estamos expondo aqui, ou uma linguagem da moda e um estilo de culto como “show” para atrair pessoas.

Uma vida cristã perseverante frente às dificuldades existentes só é possível mediante a graça de Deus através das Escrituras, como chave da perseverança.


APLICAÇÕES E CONCLUSÃO

Para terminar, algumas aplicações do sofrimento de Bunyan, para nossas vidas e nossas igrejas.

Devemos aprender com o sofrimento de Bunyan a amar o céu! 
A esperança cristã, como enfatizada na Primeira Epístola de Pedro, nos ajudará junto ao sofrimento, com dor sim, mas suportando e dando graças a Deus pela perseverança. Amados, amemos o céu, amemos a eternidade! Tudo isso aqui é passageiro, e a vida é apenas um hall de espera. Deus tem algo muito maior preparado para nós.

Devemos aprender com o sofrimento de Bunyan a resistir com firmeza no sofrimento. 
O apóstolo Pedro nos diz: “Resisti-lhe firme na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo. Ora, o Deus de toda graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar. A Ele seja o domínio pelos séculos dos séculos. Amém!” (1 Pd 5. 9-11). Tiago igualmente nos exorta quanto a provação: “Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações, sabendo que a aprovação da vossa fé produz a perseverança; e a perseverança tenha a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, não faltando em coisa alguma” (Tg 1.2-4). Irmãos e irmãs, sejam quais forem os seus sofrimentos, lembre-se que vocês são crentes em Cristo Jesus! Fiquem firmes com Deus!

Devemos aprender com o sofrimento de Bunyan a meditar mais em nossa liberdade. 
O Brasil é um país livre em relação à crença religiosa. Podemos cultuar, adorar a Deus livremente, e professar nossa fé em qualquer lugar. Às vezes essa liberdade pode causar um relaxamento em nossa adoração e peregrinação cristã. Devemos agradecer a Deus pela liberdade, mas também sermos vigilantes em relação a ela. Uma implicância aqui e acolá em nosso lar, local de trabalho, faculdade, escola ou qualquer outro ambiente em convivência com não crentes, não se compara ao que Bunyan e outros passaram na prisão. Também não devemos dar lugar ao pecado em nossa vida por causa dessa liberdade. A prisão fez de Bunyan um homem santo! “Porque eu sou o SENHOR vosso Deus; portanto santificai-vos, e sede santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44a). Seja qual for o pecado contra o qual você estiver lutando, prossiga lutando com Deus para abandoná-lo.

Devemos aprender com o sofrimento de Bunyan a perseverar no ministério que Deus nos colocou
Bunyan foi alguém que desfrutou da graça de Deus para perseverar no ministério diante de todas as dificuldades mencionadas. Ele não foi alguém isento de dúvidas. Pelo contrário, lutou com dúvidas várias vezes. Mas pela graça de Deus foi preservado e perseverou com firmeza no evangelho. Hoje, matérias em mídias populares mostram que há uma alta e significativa porcentagem de pastores que desistem do ministério seja por desgaste emocional e esgotamento espiritual ou algum problema moral. A biografia de John Bunyan é encorajadora para um chamado a perseverança. Seja um pastor de uma igreja estabelecida, ou um líder em uma comunidade com imensos problemas ou um plantador ou revitalizador de igrejas e até mesmo um estudante de teologia aspirando ingressar no ministério, a biografia de John Bunyan pode encorajar você e oferecer luz a sua mente para enxergar a operação da graça de Cristo e manter o coração aquecido enquanto serve no ministério. 

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1O autor agradece ao Pastor Gilson Santos da Igreja Batista da Graça em São José dos Campos – SP pelo desafio de ministrar a palestra biográfica e encorajar a publicação da mesma em formato de artigo além de revisa-la. 
2BUNYAN, John. Graça abundante ao principal dos pecadores: uma autobiografia de John Bunyan. São José dos Campos, Editora Fiel, 2012. P. 20
3Ibid
4Ibid. P. 113
5Cf. online: http://www.crbb.org.br/confissao_sem_transcricao_textos_prova.pdf. Para uma consideração histórica do tema, cf: SANTOS, Gilson. A Confissão de Fé Batista de 1689. Online: http://www.crbb.org.br/gilson4.pdf 
6LLOYD-JONES, D. M. Os Puritanos; suas origens e sucessores. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1993, pp. 395-425. 
7FÉ PARA HOJE; Confissão de Fé Batista de 1689. São José dos Campos (SP): Editora Fiel,1991, 64p.
8Cf. BUNYAN, John. Reprobation Asserted. Online: http://www.reformed.org/master/index.html?mainframe=/books/bunyan/reprobation/. Acesso em 31/07/2013
9PIPER, John. O Sorriso Escondido de Deus. São Paulo: Shedd Publicações & Edições Vida Nova, 2002, 192p.  
10BUNYAN, John. O Peregrino; com notas de estudo e ilustrações. São José dos Campos (SP): Editora Fiel, 2005, 263p.
11BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. São Leopoldo (RS): Editora Sinodal, 1984, 196p.
12PIPER, op. cit.

  • 3 COMENTÁRIO(S)

Marcelo Bárcia | Rio de Janeiro/RJ | 08/11/2013 17:37:29
Pastor Juan, tenho certeza de que este texto maravilhoso foi inspirado por pelo espírito santo de Deus. Já li O Peregrino suas vezes e tanto o livro como a vida do autor são exemplo de fé genuína e visão espiritual. Foi muito enriquecedor saber mais detalhes da vida deste homem de Deus. Que Deus continue lhe abençoando com o espírito de sabedoria. Um Forte Abraço, Marcelo Bárcia PIB-Copa
Filipe Moura | São Paulo/SP | 20/11/2013 23:07:10
Gostei muito do artigo. De fato algumas passagens de O Peregrino (senão todas) são explicitamente relatos de vivências do próprio Bunyan. Uma dessas passagens de O Peregrino que me marcou foi aquela em que Cristão passava pelo Vale da Sombra da Morte e, em meio a tantas dificuldades, um demônio furtivamente se aproxima dele e lhe sussurra aos ouvidos várias blasfêmias contra Aquele que de modo tão benevolente o salvara. Esse fato lhe trouxe mais aflição do que qualquer outra coisa. Até que ele ouviu alguém à sua frente exclamar o Salmo 23.4, Ainda quando eu andar pelo vale da sombra da morte, não temerei males, porquanto Tu estás comigo. Louvado seja Deus.
MARCILENE DOS SANTOS LEITE | ANGRA DOS REIS/RJ | 09/12/2013 19:54:31
Amados, a Paz do Senhor Jesus Estou muito emocionada com tudo o que acabei de ler e quero ler mais e mais, pois tenho sede e fome da verdadeira PALAVRA DE DEUS,ALELUIAS! Por favor como faço para aprender mais, como faço para ter também alguns destes livros deste grande pregador da Palavra de DEUS, ME AJUDEM POR FAVOR. A PAZ SEJA COM TODOS VÓS.

Um mundo complicado

O COMEÇO DE TUDO 
Às vezes nos sentimos num verdadeiro exílio bem no meio da sociedade em que vivemos, exatamente no lugar que nos pareceria mais acolhedor e mais normal para o desenvolver de nossa vida. Quando nos sentimos assim, algo súbito e desconfortável parece surgir em nosso interior, uma vez que essa não seria uma estrutura normal para nossa percepção de espaço e circunstâncias periféricas.

A existência de exílios foi algo relativamente regular e sistemático na história dos povos da antiguidade. Povos mais fortes e poderosos conseguiam, por meios militares, fazer com que as nações menos portentosas lhes pagassem tributos, entregassem pessoas para o serviço escravo, e muitas outras práticas comuns daqueles tempos passados. Algumas vezes a exigência era cumprida após invasões militares, com muitas mortes e com verdadeiras hordas de destruição e pilhagem. Em algumas dessas ocasiões, havia um verdadeiro e nominal genocídio, com gente de todas as faixas etárias, ambos os sexos, todas as classes sociais simplesmente mortas ao fio da espada. Outros povos, no ato da vitória, escolhiam para si o cativeiro de pessoas ilustres, principalmente aquelas que poderiam contribuir para um avanço ainda maior da influência, poderio e capacidade operacional do invasor. Era comum, por exemplo, pessoas de destacada posição intelectual ou espiritual serem pinçadas para assessorarem diretamente os interesses de Estado dessas poderosas nações.

Na história de Israel alguns desses episódios também aconteceram. Embora saibamos da tristeza que é deixar sua terra sendo levados como animais amarrados para outro lugar, tendo perdido parentes, estruturas, bens e lugares de culto, é inegável que a história estava mais favorável aos que eram levados para prestar serviços mais nobres, se compararmos sua situação com a daqueles que tombavam pelo caminho ou que eram escravizados para penosa labuta que comumente os levava à morte. Um desses exílios menos dolorosos no sentido físico foi aquele em que Daniel e seus amigos, Hananias, Misael e Azarias, se viram levados para corte da Babilônia onde deveriam servir como sábios. 

Essa narrativa pode nos servir de livre comparação com a sociedade moderna, ou pós-moderna, como alguns a chamam, uma vez que há alguns traços paralelos a serem observados. E, nesse modelo social, uma das características marcantes é a múltipla forma de expressão cultural, a multiculturalidade. 

Daniel e seus amigos eram filhos de Deus, pessoas comprometidas com o Deus do povo de Israel, cuja promessa conheciam e cujo culto praticavam em sua terra. Isso nos faz concluir que o fato de sermos filhos de Deus não nos isenta de sofrer pressões e desgostos e de, muitas vezes, nos sentirmos de tal forma acossados que nos sentimos sob escravidão em nossos atos e gestos. A liberdade que temos no Senhor, muitas vezes, parece parcial quando nos vemos em situações extremadas em nossa jornada. Então nos perguntamos por quais razões tudo nos acontece dessa ou daquela forma, uma vez que, a exemplo de Daniel e seus amigos, nenhum de nós pediu para nascer, muito menos nesta geração, nesta sociedade específica, nas condições exatas em que nos encontramos.

Olhamos para os lados e confirmamos a nossa desconfiança: somos diferentes. Como nossos heróis da Bíblia, nossa língua é diferente, nossa roupa é diferente, nossos talentos são diferentes. Mas por vezes nos vemos no meio da corte estranha, tendo que usar roupas de outro reino, enfrentando culturas e religiões contrárias ao nosso pensamento, aos nossos gestos e à nossa fé. Em quase tudo a sociedade multicultural difere da nossa, que não é daqui, cujo trono é diferente e o Rei difere dos demais. É nesse momento de crise que um perigo sutil se apresenta, quase sempre sem nossa percepção: um relativo conforto externo, com comida farta, posição de respeito, roupas de destaque, que podem nos fazer trair em nossas mentes o fato de que não pertencemos a nada daquilo e que, na verdade, estamos longe de casa, apenas cumprindo um mandato de nosso rei.

Diante disso, nosso gesto precisa ser como o de Daniel: ainda em 1.8a, lemos “Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia”. Esse firme propósito é algo que muitas vezes nos falta quando nos deparamos com a multiculturalidade de nossa sociedade, com os avanços daquilo que pode representar um problema para nossas vidas e, quem sabe, até um perigo de morte. Deus nos dá todas as condições de vencer, todas as qualificações necessárias para sermos tidos por ele como pessoas, filhos, que serão vencedores por ele e através dele, a fim de que ele mesmo seja glorificado ao final de tudo. Isso agrada a Deus e nos confere vitória. 

Essa narrativa, se tornada contemporânea em sua aplicação prática, mostra a cada um de nós que é possível realmente viver e vencer mesmo quando estamos encravados numa sociedade multicultural que, em tese, seria oposta a muitos de nossos princípios mais profundos. Como forma de ligação com nosso tempo, utilizarei, para cada parte do texto que se exporá de tempos em tempos nesta publicação, a expressa de significância dos nomes hebreus dos quatro amigos: DANIEL: Deus é Juiz, HANANIAS: Deus é Amor, MISAEL: Quem é igual a Deus? e AZARIAS: Deus Ajuda.

O pano de fundo da narrativa de Daniel, Hananias, Misael e Azarias durante o exílio sofrido por Israel bem antes de Cristo vir a este mundo como o Messias era o de um mundo bem diferente do nosso, atual, em termos de tecnologia, bens de consumo disponíveis, conforto urbano, etc. Mas era um mundo povoado pela mesma raça caída que o povoa hoje. 

Outra coisa bem diferente dos nossos dias eram os preceitos legais. Israel tinha um código legal baseado naquilo que o próprio Deus havia prescrito como ideal para a condução isenta da sociedade. Eram leis retributivas, numa terra sem prisões ou tribunais como os conhecemos hoje. O mundo conhecido da época também dispunha de códigos legais, mas nenhum deles se aproximava do que conhecemos por lei em nosso tempo.

As relações internacionais praticamente inexistiam. A diplomacia não era meio de estabelecer relacionamentos entre Estados, e o que valia de fato era o poderio bélico-militar, geralmente usado de forma indiscriminada. Esse modelo fortalecia a economia com as pilhagens e a mão de obra escrava e servil, que se destinava a ocupar os postos de trabalho pesados e insalubres. Se morressem, os escravos eram apenas trocados: saia um morto, entrava um vivo no lugar. Nesse mundo estranho a nós podemos dizer que, pelo menos aos nossos olhos, não havia lei. O mundo era dos mais fortes, mais armados, mais destrutivos. Os demais eram peças de um jogo estranho e cruel. 

Precisamos entender que Deus levantará a ajuda de que precisamos até na cultura circundante, mesmo que não a percebamos de imediato. Assim foi com eles, quando, ao fazerem o voto de não comerem daquelas comidas que tinham traços fortes de apego religioso contrário a Deus, encontraram num outro serviçal do rei, estrangeiro e pagão, o auxílio de que precisavam para executar suas intenções. Com isso, ao longo deste breve trabalho, faremos alguns comparativos, entendendo acima de tudo que Deus cuidará de nós enquanto estivermos mergulhados numa sociedade que tenta nos abafar e matar, fazendo de nós seus servos e escravos. Deus cuidará de nós em toda a extensão de nossa existência, pois somos seus servos, seus escravos, e, por isso, ele nos conduz como filhos e amigos.

A conclusão a que chegaremos juntos é que, em Babilônia, nossos heróis tiveram uma surpresa, mas ela não pareceu abatê-los. Uma das coisas que lhes fizeram logo de início foi trocar seus nomes hebreus, com significados relacionados ao Deus de Israel, por nomes locais, voltados para os deuses pagãos aos quais os babilônios serviam. Assim, Daniel recebeu o nome de Beltessazar, que se crê signifique “o deus Bel (ou Baal) proteja sua vida”; Hananias teve seu nome mudado para Sadraque, que quer dizer “servo do deus Sin”; Misael passou a ser chamado de Mesaque, que quereria dizer “Quem é como o deus Aku?” e, finalmente, Azarias recebeu o nome babilônio de Abede-nego, que quereria dizer “Servo do deus Nabu”. 

Os significados podem divergir entre os estudiosos, mas o importante aqui é destacar que eles, no ambiente multicultural em que foram inseridos, sofreram a tentativa de miscigenação, de mistura, de perda de identidade de fé, de inserção total nos costumes da sociedade circundante. Conseguiram mudar legalmente seus nomes, mas a narrativa do livro mostra que não conseguiram mudar seu caráter de verdadeiros filhos de Deus e de líderes levantados pelo Senhor em meio ao seu momento histórico.

Por diversas vezes ao longo do livro de Daniel, governantes e religiosos babilônios tentaram mudar a religião dos filhos de Deus, mas não conseguiram tocar na firmeza de sua fé. Daniel e seus amigos algumas vezes precisaram se perfilar em cerimônias em louvor a outros deuses que não o Deus de Israel, mas jamais se curvaram diante deles ou os adoraram.

Que Deus ajude os líderes que ele levanta ainda hoje, na Babilônia moderna, com sua fragmentação, sua violência, sua incredulidade, sua empáfia contra tudo que procede de Deus. Que ele nos ajude a sermos líderes que servem, para que sirvamos a Deus acima de tudo e todos, e ao próximo que ele mesmo conduz a nós.

1. UM MUNDO SEM LEI. MAS DEUS É JUIZ 
DANIEL: DEUS É JUIZ
A liderança cristã num ambiente multicultural muitas vezes se apercebe exatamente nessas circunstâncias desfavoráveis e de grande pressão. O mundo que nos cerca parece um mundo absolutamente sem lei, em que ela própria é instável e depende de inúmeras circunstâncias para que seja mantida. A sociedade secularizada e altamente relativizada em que nos encontramos é terreno propício a desqualificações e desmandos dos mais variados níveis. 

As pessoas que lideramos nesta geração encontram-se com angústias intensas em seu coração, sem conexão clara com aquilo que se pode ou não fazer, sem perceberem de forma lúcida quais são seus limites e quais são as reais intenções daqueles que nos cercam. Dessa forma encontramos muitíssimas pessoas em nossas igrejas, as quais, mesmo havendo sido libertas do jugo do pecado, continuam agrilhoadas no coração por algemas de sentimentos e constrangimentos que praticamente lhes provam a assertiva de que realmente vivemos num mundo sem lei, cujas fronteiras éticas e morais são volúveis e instáveis, com toda sorte de medos interiores. Ao mesmo tempo, externamente, precisam parecer cada vez mais fortes e lutadores, a fim de não serem tragados pelos demais.

A liderança que Deus nos entrega nessa sociedade pode ser delicada, em que nada temos a oferecer em termos concretos aos olhos das pessoas que nos cercam. Oferecemos a fé num Deus que é desacreditado, o aconchego num grupo, a igreja, que é menosprezada, e uma exigência de viver pelo que não se vê, mas no que se crê inquestionavelmente. 

Quando esse mundo que aparenta não ter lei se materializa diante de nossos olhos, precisamos nos lembrar de que Deus é a nossa justiça absoluta, nosso Juiz. Isso Daniel foi mostrar ao caos babilônico, a uma terra cuja lei era arbitrária e que tinha afrontado a liberdade de filhos de Deus. Embora todos os demais amigos de Daniel fossem filhos do mesmo Deus, é inegável a posição de liderança que Daniel tinha sobre eles e sobre os demais desde o primeiro momento.

Daniel quer dizer “Deus é Juiz”. E Daniel foi uma espécie de juízo vivo de Deus enquanto operou na corte babilônica. As narrativas do livro não deixam dúvida disso a nenhum de nós. Mas há vários outros lugares nas Escrituras em que encontramos essa ideia, como nos lembra Russel Shedd em seu livro O líder que Deus usa, ao nos dizer: 
“Davi deu valor à justiça. Considere a maneira que ele desafiou a prática de distribuição dos despojos da batalha entre os homens. Ele se assegurou de que os homens fracos recebessem um montante igual e justo.”1
Neste episódio lembrado pelo autor, a justiça praticada pelo líder foi manifestada numa completa mudança de hábitos comuns àqueles tempos. O comum era que apenas os soldados em combate direto tivessem o direito de repartir os despojos tomados aos derrotados nas batalhas, mas Davi instituiu um novo modelo, em que os soldados que ficaram cuidando dos bens dos soldados que foram à frente de combate, também passaram a ter direito a parte dos despojos. Isso foi possível porque a liderança de Davi sobre seus homens visava a fazer cumprir a justiça que Davi entendia como sendo de Deus sobre os que o cercavam.

O mesmo autor prossegue falando a respeito do princípio de justiça, ainda tocando na vida de Davi e sua busca por estabelecer justiça em sua liderança, que o
“insensato Nabal quase perdera sua cabeça por não reconhecer que a liderança de Davi baseava-se em um senso vital de justiça (lSm 25), em vez de subornos, favoritismos e ‘panelinhas’. O general Joabe, que servira Davi tão habilmente nas batalhas, mas que pecava na falta deste princípio crucial de orientar sua vida pela justiça, finalmente perdeu sua vida como uma consequência da falta de justiça.” 2
Ora, tudo isso nos mostra que há em Deus uma preocupação constante com a justiça. Uma vez que Deus estabelece líderes em meio às pessoas de suas gerações, o próprio Deus espera que tais líderes sejam movidos pela justiça e que implantem e lutem por estabelecer a justiça de Deus entre os homens. O líder que Deus levanta não se destina apenas a pregar o Evangelho, embora essa seja sua principal vocação. De fato, ao pregar o reino de Deus, cabe ao líder que Deus levanta pregar todas as circunstâncias do Evangelho, o que inclui o bem, a paz, a justiça, etc.: a presença do caráter do próprio Deus como fator de pregação e de construção da própria essência da sociedade que nos cerca.

Assim trabalharam Daniel e seus amigos. Homens de Deus postos por circunstâncias adversas no meio de uma sociedade estranha, e que souberam se posicionar e liderar inúmeras pessoas que as cercaram ao longo de seu ministério na Babilônia. O resultado foi positivo, o nome de Deus foi glorificado, e os efeitos da liderança desses homens são sabidos e seguidos até hoje, cerca de 2,5 mil anos após o ocorrido.

Mark Shaw, em seu Lições de Mestre, ao mencionar Martinho Lutero, diz que o incômodo do reformador tinha muita conexão com a questão da justiça de Cristo, que é imputada a nós pelo próprio Senhor. Diz ele:
Para um monge esgotado espiritualmente, que vivia em uma época contaminada pela ansiedade mal resolvida, a verdade da justificação pela fé parecia ser uma cura milagrosa. Lutero escreveu que, quando entendeu que a justiça de Cristo é imputada (transferida) sobre nós, os ‘portões do paraíso’ pareciam se abrir diante de seus olhos. 3
Entendemos que a liderança inequívoca de Lutero em termos de Reforma, e posterior a ela, também deve nos falar de forma profunda a respeito da questão de justiça, particularmente a justiça de Deus que vem sobre a raça humana. Como líderes levantados por Deus numa sociedade multicultural, nosso papel será apregoar livre e poderosamente que o mundo jaz no maligno,4 que toda maldade (injustiça) é decorrente do afastamento de Deus,5 mas que Deus é totalmente justo,6 e que levanta seus líderes para trazer justiça ao homem.7

Já o expoente do avivamento britânico, John Wesley, cria na perfeição humana, o que é altamente questionável do ponto de vista de uma formulação doutrinária reformada. No entanto, é inegável sua contribuição para a formação de cristãos piedosos, dada a sua ênfase na questão da espiritualidade equilibrada. A santidade, nesse contexto, é o que forma uma identidade de líderes cristãos comprometidos com a aplicação da justiça de Deus em seu entorno.
Segundo lemos em Shaw, não podemos ignorar
que a busca pela santidade é um objetivo proposto pela Bíblia. Os efeitos positivos dessa busca eram numerosos: ação social cristã, renovação da família, redução nas taxas de crimes e imoralidade e assim por diante. A ênfase na santidade pessoal e social evitou que o movimento de grupos pequenos de Wesley se tornasse restritivo e acomodado. Quando a santidade e a justiça são os alvos do discipulado, um cristão decidido pode ser formado, alguém que realmente poderá transformar tanto a Igreja quanto a sociedade.8 
De acordo com essa postura, a santidade é a base para a formação de cristão – um futuro líder. Voltando a Daniel, o que temos ao longo da leitura do livro bíblico é a exposição da vida de servos devotados do Senhor, cuja preocupação maior era uma vida santa, buscando ao Senhor e querendo executar sua vontade. Isso os tornou líderes realmente usados por Deus numa sociedade multicultural: essa deve ser a realidade buscada por líderes cristãos em nossos dias.

Finalmente, falando a respeito de William Wilberforce e citando parte de seus escritos, Shaw levanta a questão de que o verdadeiro cristianismo leva os cristãos a lutar por melhores condições, particularmente a justiça. A liderança cristã persegue os ideais de Deus, o que faz com que queira promover esses princípios no entorno de sua liderança, conectando a falta disso a um desfalecimento da missão cristã. Diz o autor:
Conforme Wilberforce ensinou em A Practical View, o cristianismo vital impele os cristãos a lutar pela justiça. A separação entre ação social e paixão espiritual fará com que esse cristianismo se apague e feneça, como ocorre quando separamos uma brasa acesa do fogo.9
Haja o que houver no nosso entorno, precisamos fazer de nossa jornada de líderes, no contexto da multiculturalidade em que estamos inseridos, o mesmo que Daniel. Jamais podemos nos desviar do conhecimento de que Deus é o nosso juiz e que dele só advêm julgamentos totalmente justos.

Diante do Senhor devemos depositar nossas causas, e, pelo tema deste trabalho, as causas que afligem a liderança que Deus nos confiou, sendo Deus o justo juiz, único que julga de forma totalmente justa as nossas causas. Diz a palavra do Senhor em Jeremias 11:20: “Mas, ó SENHOR dos Exércitos, justo Juiz, que provas o mais íntimo do coração, (...) a ti revelei a minha causa.”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A Bíblia Sagrada. 2. ed. Tradução ao português: João Ferreira de Almeira. Revista e Atualizada no Brasil. Barueri: SBB, 1993.
LAWRENCE, Bill. Autoridade pastoral: servindo a Deus, liderando o rebanho. São Paulo: Vida , 2002.
SHAW, Mark. Lições de mestre: 10 insights para a edificação da igreja local. Tradução: Jarbas ARAGÃO. São Paulo: Mundo Cristão, 1997.
SHEDD, Russel P. O líder que Deus usa. 1ª. Tradução: Edmilson A. BIZERRA. São Paulo: Vida Nova, 2000.
STOTT, John. Ouça o Espírito, ouça o mundo. Tradução: Silêda Silva Steuernagel. São Paulo: ABU, 2003.
STOTT, John R. W. Los Desafíos del Liderazgo Cristiano. 3ª. Tradução: n.d. Buenos Aires: Certeza, 2002. 

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1SHEDD, Russel P. O líder que Deus usa. Tradução: Edmilson A. BIZERRA. São Paulo: Vida Nova, 2000.
2 Idem
3
 SHAW, Mark. Lições de mestre: 10 insights para a edificação da igreja local. Tradução: Jarbas ARAGÃO. São Paulo: Mundo Cristão, 1997. P. 23.
4 “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno”. (1João 5.19)
5 “Cheios de toda injustiça, malícia, avareza e maldade; possuídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sendo difamadores, caluniadores, aborrecidos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais, insensatos, pérfidos, sem afeição natural e sem misericórdia”. (Romanos 1.29-31) 
6 “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto”. (Deuteronômio 36.4)
7 “Todo o Israel ouviu a sentença que o rei havia proferido; e todos tiveram profundo respeito ao rei, porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça”. (1Reis 3.28)
8  SHAW, Mark. Lições de mestre: 10 insights para a edificação da igreja local. Tradução: Jarbas ARAGÃO. São Paulo: Mundo Cristão, 1997. P. 170.
9 Ibidem. P. 222.

  • 2 COMENTÁRIO(S)

Edson Manoel Joaquim | Cabo de Stº Agostinho/Pe | 19/08/2013 23:03:16
Excelente. É um texto maduro e edificante. A exposição da palavra de Deus dá gozo ao coração!
Solange Ponte | São Paulo/SP | 04/02/2014 22:46:35
Parabéns, amei o texto. Literalmente nos sentimos fora do contexto em que estamos inseridos, e como é difícil para que as pessoas compreendam os nossos princípios. Falar de santidade então, parece coisa do passado. Mas, como é exposto no texto, precisamos de líderes apaixonados por tudo o que se diz: DEUS. Esse líder pode ser eu, você ou nós. Se o fogo da paixão arder fortemente em nosso coração, alcançará o coração do ouvinte da Palavra de Deus. Deus abençoe!